História da Apicultura

A família Apoidae remonta a cerca a de 100 milhões de anos com o aparecimento das primeiras plantas com flores. A forma mais antiga de abelha (Electerapis) foi descoberta na região báltica, no Eocénio superior (43 a 37 milhões de anos). O género Apis, que engloba todas as espécies actuais de abelhas, deve-se ter formado há cerca de 30 milhões de anos. Quanto à apicultura, de acordo com documentos de vários historiadores, remonta ao ano de 2.400 a.C., no antigo Egipto. Este povo é apontado como o primeiro a racionalizar a criação de abelhas.

Arqueólogos italianos localizaram colmeias de barro na ilha de Creta com idade aproximada de 3.400 anos a.C.

O mel já era utilizado desde 5.000 a.C. pelos sumérios.

Só a partir do século XVII é que houve um considerável avanço no desenvolvimento e aperfeiçoamento nas técnicas de maneio.

Com o surgimento do microscópio Swammerdam (1637-1680) desvenda-se o género da rainha (até então acreditava-se ser um rei) pela dissecação.

Em 1771 Janscha descobre que a fecundação da rainha ocorre ao ar livre.

Também em 1771 Schirach prova que a rainha se origina do mesmo ovo, que pode originar também uma obreira.

Em 1857 Johanes Mehring produz a primeira cera com alvéolos.

Em 1865 Franz Von Hruschska inventa o centrifugador para tirar mel sem danificar os favos.

Lorenzo Lorain Langstroth descobre o “espaço abelha”, que nada mais é do que o vão entre um favo e outro. Este espaço deve variar entre 6 e 9 mm. A partir daí criou o quadro móvel, o qual fica suspenso dentro da colmeia pelas duas extremidades. Todas estas descobertas levaram a criação da colmeia Langstroth em 1851.

A colmeia Langstroth é considerada padrão e até hoje é a mais usada em todo o mundo. Foi a partir dela que se deu o maior avanço na apicultura devido à facilidade no maneio que ela proporciona.

 

O Mel

“O mel é o alimento produzido pelas abelhas melíferas a partir do néctar das flores ou das secreções das partes vivas das plantas, que elas recolhem, transformam, combinam com matérias específicas apropriadas, armazenam e deixam amadurecer nos favos da colmeia. Este alimento pode ser fluído, espesso ou cristalizado.”

Quando as abelhas encontram uma fonte de néctar, em áreas que às vezes se estendem por km em redor do apiário, transmitem ao chegar à colmeia, a sua mensagem, através de um bailado complexo designado vulgarmente por “dança da abelhas”, destinado a dar informações precisas acerca do local onde se encontra a colheita, a distância a percorrer, a posição da área de recolha relativamente ao colmeias…

A primeira fase da transformação do néctar em mel, dá-se quando da sua concentração, que é a eliminação do máximo teor de água do mel recolhido. Depois da obreira-sugadora ingurgitar para a sua bolsa de néctar uma quantidade de néctar suficiente, uma obreira que vai ingurgitá-lo por sua vez, para depois o regurgitar para a língua de outra obreira. Assim, o néctar vai passando de abelha em abelha até ficar concentrado em açúcares simples. Sendo assim, por cada passagem pela bolsa de uma obreira, o que ainda resta de néctar, sofre uma transformação graças à acção de uma diastáse, que consiste essencialmente em transformar a sacarose em frutose e glicose, açúcares directamente assimiláveis pelo nosso organismo.

Depois de ter sido concentrado e transformado, o néctar passa a mel, sendo cuidadosamente depositado pelas obreiras nos alvéolos da colmeia ou cortiço. Aí, as abelhas vão ventilar para eliminar o excesso de humidade e proceder à sua operculação que é não mais do que a selagem dos favos.

PROPRIEDADES

O mel compõe-se de:

- 75 % de glícidos, destes 70 % são açúcares simples como a glicose e a levulose, os restantes 5% são açúcares compostos tais como a sacarose e a maltose;

- água : deve ser inferior a 20 %;

- vitaminas: todas excepto vitamina A;

- proteínas: que contêm aminoácidos essenciais;

- ácidos orgânicos: ácido acético, ácido cítrico, ácido fórmico, etc.;

- sais minerais e oligo-elementos: enxofre, fósforo, sódio, potássio, cálcio, magnésio, ferro, cobre, manganésio, etc.;

- substâncias diversas, pólen, substâncias aromáticas, enzimas digestivas, substâncias antibióticas, etc.

O Pólen

As patas posteriores das abelhas possuem uma escova para o pólen da qual se servem para confeccionar pequenas bolas de 6 a 8 mg que depois consolidam com néctar e saliva.

Estas bolas são conduzidas para a colmeia e armazenadas em células perto da zona de postura pela acção do homem, o pólen é recolhido antes de entrar na colmeia, através de um “capta – pólen”, uma pequena grelha cujas aberturas são suficientemente largas para permitir a passagem da abelha mas suficientemente estreita para “reter” parte do pólen que a abelha transporta e cai numa espécie de gaveta cujo conteúdo é retirado quotidianamente pelo apicultor.

Recolhe-se cerca de 3 kg de pólen por colmeia e por ano. Após a recolha procede-se à secagem, seguidamente deverá ser guardado ao abrigo do calor e da humidade.

PROPRIEDADES

O pólen compõe-se de:

- Proteínas: 20 a 35 %

- Glícidos: cerca de 35%

- Lípidos: cerca de 5%

- Vitaminas A, D, E, C e B

- Sais minerais e oligo-elementos

A composição do pólen, rico em elementos indispensáveis ao equilíbrio biológico, faz dele um alimento ou um suplemento alimentar de eleição.

A Geleia Real

A geleia real é produzida pelas jovens obreiras, graças à acção das suas glândulas faríngeas. Durante um certo período da sua vida, (cerca de 12 dias), essas jovens abelhas vão desempenhar o papel de “amas”, tendo como única função alimentar:

Tem a aparência de uma pasta amarelada, ligeiramente gelatinosa e cujo cheiro característico lembra o fenol.

PROPRIEDADES

A geleia real compõe-se de:

- Água: 65 a 70%

- Glícidos: cerca de 14 %

- Proteínas: cerca de 13 %

- Lípidos: cerca de 4 %

- Vitaminas: sobretudo as vitaminas essenciais do grupo B

- Sais minerais e oligo-elementos: cálcio, cobre, ferro, enxofre, silício, potássio e fósforo

- 3 % dos constituintes da geleia real são elementos materiais ainda indeterminados, pelo que foram classificados com a designação de “factor R”

A geleia real é um alimento de eleição, capaz de estimular o organismo, graças à sua riqueza em várias substâncias essenciais. Este poder estimulante fornece ao nosso organismo uma maior capacidade de resistência, permitindo-nos utilizar melhor o nosso potencial tanto físico como psíquico.

A Própolis

É recolhida pelas obreiras nos botões de algumas árvores, tais como o olmeiro, o abeto, o carvalho, o freixo e o choupo.

Depois de transportada para a colmeia, as obreiras enriquecem-na com secreções salivares obtendo finalmente a própolis pronta a utilizar para as necessidades da colmeia.

PROPRIEDADES

A própolis compõe-se de:

- Resina: 50 %

- Cera: 25 a 30 %

- Pólen: 5 %

- 5 % de substâncias diversas

Possui propriedades anti bacterianas, anestésicas e cicatrizantes.

A própolis também designada como cimento da colmeia, é uma substância dura, friável, mas facilmente maneável a partir de 35 ºC. A sua cor pode variar: amarelo claro, castanho, verde-escuro, negro. Tem um sabor ligeiro acre e cheiro a cera e resina.

Os apicultores recolhem-na separando-a por raspagem dos quadros e das paredes da colmeia. Esta recolha ronda as 50 e as 300 gramas por ano e por colmeia. Também podem ser utilizadas grelhas maleáveis próprias para a recolha (ver Produtos).

O veneno da abelha

O veneno da abelha, em grandes quantidades, é letal para o homem, mas é também um medicamento muito eficaz na cura de diversos males como por exemplo: artrite, reumatismo e problemas circulatórios entre outros.
A Apitoxina tem cada vez mais procura pela indústria farmacêutica.
A Apipunctura é o termo científico para o tratamento através da picada das abelhas.

A Cera

É uma substância segregada pelas abelhas a partir de mel e pólen, serve para a construção de favos na colmeia. Na Lousamel faz-se a aplicação da cera nos quadros das colmeias.

Para o homem tem aplicação na produção de velas, impermeabilizantes, cosméticos, serve de base para certos remédios, além de outros produtos industriais.

A Lousamel promove a descoberta da moldagem da cera, através da porta aberta aos interessados no processo.

A cera que moldamos é completamente isenta de aditivos.

Curiosidades

De acordo com uma lenda portuguesa, da região de Santarém, outrora existia, junto do rio Tejo, um reino verdejante e florido cujos habitantes eram lavradores e caçadores que amavam a Natureza. O seu rei, Gorgoris, recebeu dos deuses o segredo de fazer mel. Segundo a lenda foi Gorgoris quem ensinou esse segredo às abelhas. Por isso, era conhecido no seu reino e até em países longínquos pela alcunha de Melícola.

Os insectos foram os primeiros animais a voar. Fizeram-no, pela primeira vez há cerca de 300 milhões de anos. Leves batimentos de asas ter-lhes-ão permitido deslizar, a princípio, mas foram aperfeiçoando o voo à medida que aumentavam de tamanho.

Os antigos manuscritos Russos são como uma verdadeira enciclopédia da medicina popular através dos tempos. Diversas passagens são consagradas às virtudes curativas excepcionais do mel, encontrando-se ai mencionadas dezenas de remédios em que o mel figura em lugar destacado.

A velocidade das abelhas é de 17 km por hora.

O som produzido pelas abelhas chama-se zumbir.

Hipócrates na Grécia de 500 anos antes de Cristo, costumava prescrever mel para acalmar a ansiedade dos noivos antes do casamento, o que originou a expressão ´Lua-de-Mel´.

Nem todas as abelhas vivem em sociedade organizada. Nas espécies das chamadas abelhas solitárias, cada fêmea constrói o seu ninho, cuida dos seus ovos e procura e armazena alimentos.

Estima-se que existem mais de 20.000 espécies de abelhas em todo o mundo das quais só uma pequena fracção, cerca de 10%, é social.

A grande maioria das abelhas é de vida solitária, sem se associar a um único indivíduo da sua espécie durante a construção do ninho e produção de criação.

Entre as abelhas sociais existem espécies de rapina, especializadas em roubar o alimento de colónias de outras espécies, ameaçando inclusive a integridade da colónia.

Legislação do Sector Apícola

DL nº 1/2007

Decreto-Lei nº 1/2007 de 2 de Janeiro

Estabelece as condições de funcionamento dos locais de extracção e processamento de mel e outros produtos da apicultura destinados ao consumo humano, complementares aos Regulamentos (CE) n.os 852/2004 e 853/2004, ambos do Parlamento Europeu e do Conselho, de 29 de Abril, instituindo o respectivo regime e condições de registo e aprovação.

DL nº 203/2005

Decreto-Lei nº 203/2005 de 25 de Novembro

Estabelece o regime jurídico da actividade apícola e as normas sanitárias para defesa contra as doenças das abelhas.

DL nº 214/2003

Decreto-Lei nº 214/2003 de 18 de Setembro

Transpõe para a ordem jurídica nacional a Directiva n.o 2001/110/CE, do Conselho, de 20 de Dezembro, relativa ao mel.

Despacho nº 14536/2006

Despacho nº 14536/2006 de 10 de Julho

Fixa os termos e os montantes a atribuir por indemnização em caso de abate sanitário de colónias de abelhas, de acordo com o disposto no Decreto-Lei nº203/2005 de 25 de Novembro.

Portaria nº 349/2004

Portaria nº 349/2004 de 1 de Abril

Fixa novos valores de densidade de instalação de colmeias no Alentejo.

DN nº 23/2008

Despacho Normativo nº 23/2008 de 18 de Abril

Estabelece as regras complementares de aplicação do Programa Apícola Nacional, abreviadamente designado por PAN, aprovado pela Decisão da Comissão C (2007) 3803 final, de 10 de Agosto de 2007, nos termos do Regulamento (CE) n.º 797/2004, do Conselho, de 26 de Abril, e do Regulamento (CE) n.º 917/2004, da Comissão, de 29 de Abril.

Portaria nº 699/2008

Portaria nº 699/2008 de 29 de Julho

Regulamenta as derrogações previstas no Regulamento (CE) n.º 853/2004, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 29 de Abril, e no Regulamento (CE) n.º 2073/2005, da Comissão, de 15 de Novembro, para determinados géneros alimentícios.

Portaria nº 821/2008

Portaria nº 821/2008 de 8 de Agosto

Estabelece o regime de aplicação da acção n.º 1.3.2, «Gestão multifuncional», da medida n.º 1.3, «Promoção da competitividade florestal », integrada no subprograma n.º 1, «Promoção da competitividade», do Programa de Desenvolvimento Rural do Continente (PRODER).

DN nº 24/2009

Despacho Normativo nº 24/2009 de 3 de Julho

Estabelece alterações às regras complementares de aplicação do Programa Apícola Nacional, abreviadamente designado por PAN, aprovado pela Decisão da Comissão C (2007) 3803 final, de 10 de Agosto de 2007, nos termos do Regulamento (CE) n.º 797/2004, do Conselho, de 26 de Abril, e do Regulamento (CE) n.º 917/2004, da Comissão, de 29 de Abril, e regulamentado pelo Despacho Normativo nº 23/2008 de 18 de Abril.

DL nº 148/2008

Decreto-Lei nº 148/2008 de 29 de Julho

Assegura a execução e garantir o cumprimento, no ordenamento jurídico nacional, das obrigações decorrentes do Regulamento (CE) n.º 1084/2003, da Comissão, de 3 de Junho, relativo à análise da alteração dos termos das autorizações de introdução no mercado de medicamentos para uso humano e medicamentos veterinários, concedidas pelas autoridades competentes dos Estados membros, na parte relativa aos medicamentos veterinários.

DN nº 11/2010

Despacho Normativo nº 11/2010 de 20 de Abril

Estabelece as regras nacionais complementares de reconhecimento de organizações de produtores e de associações de organizações de produtores dos sectores e produtos referidos nos anexos do presente diploma e que dele fazem parte integrante, previstas nas secções I e I -B do capítulo II, título II, parte II, do Regulamento (CE) n.º 1234/2007, do Conselho, de 22 de Outubro.

Portaria nº 74/2014 de 20 de março Regulamenta as derrogações e medidas nacionais previstas no Regulamento (CE) n° 852/2004 e 853/2004, ambos, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 29 de abril, e estabelece critérios para a aplicação de flexibilidade nos procedimentos de amostragem previstas no Regulamento (CE) n° 2073/2005, da Comissão, de 15 de novembro e suas alterações, para determinados géneros alimentícios.
Portaria nº 74/2014

Despacho nº 4809/2016, de 8 de abril Estabelece o período de Declaração de Existências da Atividade Apícola Despacho nº 480

Higiene e Sanidade Apícola

A prática da apicultura deve incluir cuidados especiais por parte do apicultor na zona da exploração, nas colmeias e abelhas.

Se tiver suspeitas de alguma doença, infecção ou anormalidade sanitária no seu apiário, contacte a Lousamel de imediato.

A limpeza das áreas

- Limpeza de matos para controlo de pragas e prevenção de incêndios.

- Revolver a terra à volta do apiário para controlo de pragas, que completam o seu ciclo no solo (ex. coleópteros).

- Limpeza do apiário que facilita a detecção de abelhas mortas e moribundas nas imediações das colmeias.

- Uso de isoladores de forma a controlar insectos rastejantes.

- Fontes de água nas imediações para prevenção de incêndios; certifique-se que a água é potável e que tem pontos onde as abelhas possam pousar para beber.

- Bases de alvenaria nas colmeias que ajudam também no controlo de pragas e humidades.

- Poda de árvores de folha persistente (atenção às espécies protegidas) que possam causar ensombramento excessivo de Inverno; prefira árvores de folha caduca. É essencial para o controlo de humidades.

- Certifique-se que o terreno tem declive suficiente para a escorrência de águas pluviais.

A Higiene do Equipamento

- Material de madeira (alças, quadros, etc.) deve raspar, lavar e chamejar

- Material de metal: deve limpar com álcool, chamejar e ferver

- A pintura das colmeias deve ser em cores claras (que evitam a deriva das abelhas), com tinta lavável e não tóxica para as abelhas.

- Deve armazenar as ceras de modo a evitar ataques de traça; ex. separar alças com quadros com folhas de jornal, congelar quadros, pendurar os quadros de modo a não ficarem encostados, etc.

- O material limpo deve ser armazenado em locais onde não haja acesso por parte das abelhas.

A Higiene e Segurança do Pessoal

- Use sempre o equipamento de protecção que deve ser de cores claras: Fato-macaco, luvas e botas

- Evite usar aromas intensos que possam estimular a agressividade das abelhas

- Desinfecte sempre as luvas com álcool, de apiário para apiário, ou no mesmo apiário se houver alguma suspeita de infecção

- O equipamento do apicultor deve ser lavado com água e lixívia e seco ao sol

- Nas visitas ao apiário, evite ir sozinho. Se tal acontecer, é conveniente o uso do telemóvel, tendo sempre disponível o número dos bombeiros e emergência médica.

- Não se esqueça que mesmo não sendo alérgico ao veneno da abelha, em determinadas alturas, o organismo pode desenvolver reacções inesperadas a esta substância

A Profilaxia Apícola

- Não há tratamentos preventivos eficazes contra as doenças das abelhas porque elas não se tornam imunes aos agentes patogénicos.

A prevenção é uma das armas mais importantes na luta contra as doenças.

- Verifique o estado sanitário das colmeias periodicamente; realização de análises semestrais.

- Renove 2 a 3 quadros do ninho por ano.

- Realize os tratamentos da luta contra a Varroose nas devidas épocas e seguindo as recomendações da sua utilização (depois da cresta e antes do início da recolha de néctar).

- Em caso de suspeita de doença recolha uma amostra de quadro com criação e abelhas para análise, recorra ao técnico da Lousamel, que o auxiliará nos devidos procedimentos.

- Mantenha sempre as colónias fortes e bem alimentadas: vale mais uma colónia forte do que duas fracas.

- Mantenha o equipamento devidamente higienizado.

Características fisico-químicas do Mel

1. A Humidade

O conteúdo de água no mel é um dos parâmetros mais importantes influenciando directamente na sua viscosidade, peso específico, maturidade, cristalização, sabor, conservação e palatibilidade.

Méis com uma humidade muito elevada, podem dar origem a cristalizações irregulares fermentações indesejáveis.

O que pode originar uma humidade elevada no mel?

- Alças com um número de quadros inferior a nove, podem dar origem a um mel com um índice de humidade mais elevado; quando o espaço entre os quadros é maior, as abelhas têm tendência a acumular o mel mais em profundidade do que em largura.
O problema reside no facto de humidade evaporar à superfície e não em alvéolos muito profundos.

- Mel que não esteja devidamente operculado, também pode dar origem a teores de humidade elevados.

- Apiários localizados em regiões com humidade relativa do ar superior a 60 %.

- Salas de extracção com humidade relativa elevada; o mel devido à sua higroscopicidade (capacidade de absorção de água), pode ter o seu teor de água aumentado, pois na centrifugação quando o mel é pulverizado em micro-particulas favorece-se a absorção de água pela formação de uma grande superfície em relação ao volume.

Sendo assim,

- Prefira alças com 9 quadros

- Faça a cresta apenas quando os favos estiverem devidamente operculados (selados)

- Verifique as condições de humidade do local onde está instalado o apiário

- Se a sala de extracção for muito húmida, deve usar um desumidificador do ar

- Certifique-se que o material de extracção e acondicionamento está perfeitamente limpo e seco.

2 - A Acidez Total Máxima

Uma acidez muito elevada pode favorecer a fermentação no mel, razão pela qual é importante manter os níveis de acidez dentro dos parâmetros normais.

O mel aquecido por longos períodos ou com altas temperaturas aumenta a acidez.

Sendo assim,

- Evite armazenar o mel em locais quentes e aquecê-lo por longos períodos ou com temperaturas muito elevadas.

3 - O Hidroximetilfurfural (Hmf)

Para prevenir o envelhecimento precoce do mel, aumentando assim os níveis de HMF, evite armazenar o mel em locais quentes e aquecê-lo por longos períodos ou com temperaturas muito elevadas (nunca acima dos 40 o C); assim como evitar a exposição directa aos raios solares.

4 - A Cristalização do MEL

O mel é constituído por aproximadamente 70 substâncias naturais, a glicose é uma dessas, que com o frio ou o decorrer do tempo se separa dos outros constituintes e em conjunto com mais 8 moléculas e uma molécula de água formam cristais que, devido ao peso, se vão depositando no fundo do recipiente. Ocorre apenas uma reacção física, não alterando em nada as suas propriedades naturais.

A cristalização depende dos seguintes factores:

- Origem Floral

- Temperatura ambiente

- Humidade no mel

Apenas méis que foram submetidos a altas temperaturas e arrefecidos subitamente (pasteurização) se mantêm líquidos, no entanto, parte das suas propriedades foram eliminadas neste processo.

A Cresta

Cuidados a ter na Cresta

- Não creste quadros com criação

- Não realize tratamentos sanitários na época de colheita

- Verifique se o mel está devidamente operculado (selado)

- Utilize fumo suficiente de forma a afastar as abelhas dos quadros com mel

- Atenção no uso de fumigadores> não utilize materiais em que a sua combustão origine fumos tóxicos (ex. tecidos) prefira sempre materiais naturais (ex. alecrim, cedro, caruma, esteva etc.)

“As acções de fumigação e desinfestação em apiários não são permitidas, excepto se os fumigadores estiverem equipados com dispositivo de retenção de faúlhas”

A Extracção

1 - Equipamentos

- Realize periodicamente a manutenção dos equipamentos

- Prefira os utensílios e equipamentos em aço inoxidável

- Lave, desinfecte e seque bem os equipamentos e utensílios

2 - Condições a Observar na Extracção de MEL

- A extracção de mel deve ser efectuada o mais rapidamente possível a seguir à cresta para evitar o arrefecimento do mel

- Mantenha a ventilação, temperatura e humidade (baixa) na sala de extracção

- Certifique-se que a sala de extracção é bem vedada

- Tenha cuidado com as águas açucaradas das lavagens pois podem promover o aparecimento de formigas

- Certifique-se que o mel é devidamente filtrado para evitar restos de ceras, insectos, etc. e que a decantação (maturação) se realiza nas devidas condições.